Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem
nascido, despertei de sono profundo e notei que todas
as minhas máscaras tinham sido roubadas - as sete
máscaras que eu havia confeccionado e usado em
minhas sete vidas - e corri sem máscaras pelas ruas
cheias de gente, gritando:
“Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram
para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto
trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!”.
Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira
vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha
alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei minhas
máscaras. E, como num transe, gritei:
“Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura:
a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido,
pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.
Gibran Khalil
Alguém perguntou se o post anterior era de minha autoria. Respondo no final. Antes quero falar sobre liberdade. Tenho um problema pessoal com ela. Creio que por isso meus relacionamentos não duram mais que dois meses. A sensação de obrigatoriedade me persegue. Não consigo imaginar-me fazendo algo só para agradar alguém. Faço porque quero. Ou então não faço. E, é justamente neste ponto que minha mente lunática entra em curto. [Êpa... lunático, segundo o Aurélio é quem recebe influência da lua e não o que vocês estão pensando aí!].
Partindo do princípio de que ser livre é agir por si mesmo, precisaríamos ser puros para sermos livre e PURO, segundo o Aurélio é algo sem misturas, sem alterações, casto. Castos? Nós? Impossível! Somos resultado, não matéria-prima. Recebemos influência de tudo e de todos. Lembrei de Jostein Gaarder no Mundo de Sofia. Ele nos compara a um dedo polegar. Podemos mexê-lo para um lado, para outro, para baixo, para cima mas o polegar nunca vai saltar da nossa mão e sair correndo por aí porque esta não é a natureza dele. O Livre arbítrio não existe. É como a fé. Não remove montanhas.
Somos limitados e, antes que eu me esqueça, não Douglas, o texto não é meu. É do Drummond, do Rubem Alves, do Gibran, do Sartre, do Kundera, do Dotoievsky, do Garcia Marques, do Marx, do Mainardi, da Felinto, do Kafka, do Vinícius, do meu ex-professor Biu de Teoria da Comunicação, do Jorge Amado, do Raul Seixas, do Cazuza, do Vitor Hugo, do Zeca, do Rushdie, do Almodóvar, de Eclesiates, da Vera, do Camelo, do Patativa do Assaré, do Mestre Ambrósio, do Suassuna, da Lya, do Washington, do Doug, da Lima, do Rinogas, seu. Definitivamente, aquele texto não é meu!
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