Um homem cai.
Cena constrangedora.
“Ele se desequilibrou”
Diz alguém que passa.
Um outro tenta ergue-lo em vão.
O homem não faz força para levantar
Apenas olha estranhamente para o nada...
Talvez tenha quebrado a perna...
Alguém grita, mas continua seu caminho.
Quem tentou ajudar tem pressa
Não pode deixar seus afazeres...
O homem continua no chão.
Usa roupas simples, mas limpas...
Tem boa aparência...
Vê-se uma lágrima em seu rosto...
Quase param para perguntar o que sente
Mas o relógio não deixa
São tantos afazeres...
O homem continua lá
Alguém senta com ele
Conversa um pouco
Diz palavras amigas
Mas vai embora...
Já fez sua parte.
O homem continua imóvel
Os dias passam e ele vai definhando.
Emagrece.
Barba crescida, um farrapo humano.
Não é mais aquele pomposo senhor.
As pessoas se acostumam com sua presença longínqua...
Jogam moedas ao seu lado.
O homem parece não ver o dinheiro...
Dias depois, pela manhã, o encontram morto.
Na manhã seguinte o jornaleiro grita pelas ruas da cidade:
“Morreu, morreu mais um fracasso que incomodava a sociedade”
E todos fazem fila para comprar o jornal.
Luciana Tavares Lopes. A única advogada que conseguiu me deixar sem
palavras, sem graça e vermelho. Você é brilhante. Parabéns. E sei
reconhecer quando perco.
P.S.: Bom final de semana a todos. Só volto na segunda, talvez terça.
Sou um pesquisador nato. Curiosidade é o que não me falta. Nunca fico sem respostas, mesmo não sendo convincentes ou não sendo exatamente o que eu queria ouvir. Lembro que quando tinha uns 07, talvez 08 anos, perguntara a minha mãe por que ela escolhera aquele nome para mim. Acho que ela não entendia nada de psicologia infantil nem de mentirinhas bonitinhas... Contou-me que Luiz Henrique era um padre que dava aulas de filosofia no internato onde ela passou boa parte da adolescência. “Ele era lindo, charmoso, inteligente, atencioso... e eu era apaixonada por ele. Mas não conte a seu pai. Ele acha que o primeiro nome é uma homenagem a ele...”
Pobre do meu pai. Sendo enganado há 25 anos. Pobre da minha mãe. Não sou bonito, nem charmoso, nem inteligente e nem atencioso...
Quando eu tiver um filho, se tiver, não darei nomes de pessoas com as quais convivi diretamente. Seria querer reviver algo que foi bom, mas que passou. Ou pior... querer que esse filho tivesse características daquela pessoa... Mais detestável ainda. Não, não farei isso.
Se eu tivesse um filho chamá-lo-ia Joshua, like Joshua Tree do U2 ou Kevin Arnolds como o garoto bobo de Anos Incríveis. Seria Paris, como o príncipe de Tróia ou Lana como a amada do jovem Clark Kent. Seria Briseis como a sacerdotisa ou Tomas como o grande personagem de Milan Kundera. Seria Brandon ou Brenda, como os gêmeos de Barrados no Baile. E eis onde queria chegar. Beverly Hills 90210. Como eu gostava daquela série. Não perdia os episódios. Gostava muito da trilha sonora. Adorava as personagens, as confusões, as descobertas, os relacionamentos, tudo. E foi de lá que tirei o nome deste blog. O Peach Pit AFTER DARK era uma espécie de casa de shows onde rolavam muitas festas bacanas e onde a galera se encontrava. Lá aconteceram grandes encontros. E era assim que eu queria que fosse este blog. Um lugar bacana onde pessoas legais se encontram. Acho que consegui.
Hoje não ia escrever. Não ia olhar este blog. Na verdade não ia acessar a internet. Mas meus planos não saíram exatamente como imaginei. E, já que encaro pedidos, sugestões, insinuações e intimações como flexões do verbo FAZER no imperativo [Viu Srta. LimA], eis-me aqui defronte ao computador. Deixo claro, porém, que não me importo se vocês vão gostar ou não, se vão concordar ou não, se vão ler ou não. Hoje não tenho pretensões... Ter alguma coisa, aliás, é ilusão.
Tenho estado só nos últimos dias. Confesso que tenho evitado amigos e conhecidos temendo um “rapaz, você não sabe o que aconteceu... preciso te contar um segredo...” Sabe-se lá Deus a quantos teria revelado o tal segredo se os tivesse encontrado. Aliás, não se trata de segredo e sim de um pretenso segredo. Pois segredo só é segredo quando ninguém sabe. Quando é confidenciado, mesmo sendo a mim, que sou um túmulo, passa a ser um pretenso segredo. Hoje, portanto, à falta de um confidente, recorro a você, querido computador, para segredar-lhe minhas angústias.
Sempre pensei que fosse me equilibrar na vida. Mas à menor trepidação dei com a cara no chão. Não sei com certeza de onde surgem os obstáculos, os buracos e as pedras mas acredito, sinceramente, que surgiram num lugar chamado ser humano. O ser humano nunca sabe muita coisa. Aliás nunca sabe nada e duvida daqueles que sonham, daqueles que andam, daqueles que correm e daqueles que querem voar. Talvez tenha sido este meu problema. Querer voar antes mesmo de andar. Agora tenho o corpo
Nem sempre foi assim. Uma vez equilibrei-me numa pedra de sol chamada Lisa. Minha temperatura subia com o seu calor. Derretia como neve ao sol, como sorvete na boca... Agora estou como a neve e não posso mais me equilibrar
Vou interromper este post aqui. Não sei por que estou falando outra vez sobre essas idiotices sentimentais. Não sei por que estou escrevendo. Não sei por que tomei tanta cerveja hoje. Não sei por que lembrei. Só tenho uma certeza. A próxima vez que eu escrever aqui responderei a pergunta que não quer calar. Prometo Bia. Prometo Doug.
30 de dezembro de 2004.
Henrique,
Mais um ano está indo embora e quantas coisas vivemos juntos? Quanto de nossas vidas compartilhamos? Quantos sorrisos? Quantas lágrimas e lamentações? Quantos momentos de alegria e de revolta? Muitos, né?
Hoje eu me dei conta de quantas coisas, quantas pessoas, quantos momentos passaram por nós e, disso tudo, o que ficou (além da saudade)? Um sincero sentimento de amizade. Uma amizade simples, porém verdadeira, doa a quem doer!
Quantas críticas? Quanta malícia? Quantas vezes chateamos e magoamos um ao outro? Quantas brigas (tudo por conta de Robenaldo. rs)? Quantas chances desperdiçadas? Foram muitos momentos bons, ruins, mas puros.
Há quanto tempo somos amigos? Não lembro. Mas lembro que sempre fomos. Quantas tardes de domingo olhando o sol e pensando por que ele está lá... [SOU OBRIGADO A INTERROMPER ESTA CARTA BRUSCAMENTE E DEIXAR CLARO QUE NUNCA, NUNCA PENSEI ISSO]. Quantas segundas-feiras compartilhadas na sua casa.... Quantas falta do que fazer nos levaram a AABB, ao bar de Naldo e até ao difícil sitio de Henrique Paulo... Quanta bobagem boa. Quantas madrugadas olhando a festa que passou. Quanto de tudo... Quanto de nada...
Hoje me dei conta da enorme importância que você tem na minha vida, do papel que você desempenha nela mesmo estando agora a mais de
Que você é importante eu já sabia há muito tempo, mas quando me fiz estas perguntas não tinha nenhuma resposta exata pois foram muitos, muitos momentos e, por todos eles, eu só tenho a lhe agradecer pois sabemos o quanto é difícil confiar nas pessoas e o quanto é doloroso a decepção e o engano em relação ao caráter de alguém... Quão dolorosa é a traição...
Por isto somos pessoas privilegiadas, por compartilharmos um sentimento tão sincero e simples. Sincero e simples como esta mensagem, este papel, estas canetas com as quais escrevo-te com a pretensão de lhe lembrar o quanto eu lhe adoro e prezo a nossa amizade. Tô com muitas saudades. K.C.
...
Recebi esta carta ontem e me dei conta de que nunca tinha recebido uma declaração de amor como esta.
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