CONVERSAS ALHEIAS

Quinta-Feira última, estive no fórum para analisar um processo. Enquanto aguardava a atendente localiza-lo, presenciei a agradável conversa entre dois advogados que estavam próximos:

Advogado 1: Sua audiência começa que horas?

Advogado 2: Só às 10:00h

Advogado 1: Você está usando Kouros?

Advogado 2: Sim, estou.

Advogado 1: Caralho! (SIC)... Usando este perfume na diária?

Advogado 2: É... Custo zero, beneficio 100%.

Advogado 1: Não entendi...

Advogado 2: Ganhei... daquele cliente... aquele processo... lembra?

Advogado 1: Ah... lembrei...

Neste momento a atendente trouxe-me o processo. Sai.

Moral da história: A justiça pode ser cega... mas anda sempre perfumada.

EURECA!

Durante a primeira aula do MBA a professora perguntou-me, numa daquelas entrevistas chatas de apresentação, que animal eu seria se não fosse humano. Escorpião. “Escorpião?” “Por quê?” “Conte-nos”. Disse a turma, então, que uma ex-namorada havia me convencido disto. Explico. Existe uma fábula que conta a estória de um escorpião que caiu no rio e estava se afogando. Uma rã viu e salvou-o. Quando estava em terra firme o escorpião picou-a. “Por que me picaste”, perguntou a rã. “Por que esta é minha natureza”, respondeu o escorpião. Sou como ele. Sempre dou um jeito de afastar as pessoas de mim. Isso me incomodava muito. Mas, esta semana, descobri qual é meu problema. Na verdade, descobri que não tenho problemas. Os outros é que tem.  Desistem muito fácil de mim, concretizando, assim,  minhas expectativas. Isso me decepciona. Preciso de alguém que me surpreenda, que insista, que acredite, que não desista todas as vezes que eu precisar de um tempo, ou quiser ficar só, ou tiver um ataque de ciúmes ou quiser colocar um ponto final na relação.

O mais engraçado nisto tudo... durante 12 meses freqüentei um psicólogo tentando “enquadrar-me” nos padrões que eu achava serem corretos . Nada adiantou. Cheguei à conclusão de que não tenho problemas assistindo uma série boba exibida aos domingos no SBT. O.C., um estranho no ninho. Devo dizer também que muito me ajudaram algumas conversas pelo MSN com a Srta. Bia, com o Du, com a Lima e com o Ulisses.

 

 

“A vida não consiste em ter boas cartas na mão e sim em jogas bem as que se tem”

(Josh Billings)

SOBRE O AMOR

 

Se um dia eu puder transportar as montanhas, impedir o vôo das aves, multiplicar toda existência como as areias do mar, apagar a luz das estrelas e ofuscar o brilho do sol, poderei dizer então que sou capaz de controlar o amor. Como não consigo fazer nada disso, porém, estou tomando consciência da minha condição limitada de ser humano.E, como tal, não posso ter total controle sobre os sentimentos.

Contudo, mesmo que toda existência se extinga, não havendo mais nenhum sinal de vida humana, toda vez que uma estrela aparecer na imensidão do universo,toda vez que uma flor se abrir nos belos campos, toda vez que um pássaro for proteger seus filhotes no ninho, toda vez que as águas seguirem seu curso para o mar, toda vez que o vento soprar bem forte, em todos os momentos o amor aparecerá.

E alguém aí deve estar se perguntando quais são minhas “reais” intenções (como se houvesse “fictícias” intenções) ao escrever isto. Respondo que são segundas intenções, aliás, terceiras, quartas, quintas, sextas, sábados e domingos. Estou com segundas intenções porque não sei quais são as primeiras.

Amor é atitude. “A medida de amar é amar sem medidas”. E é incrível como conheço a teoria completa e não consigo pô-la em prática. 

“É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...”

(Vinicius de Morais)

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