SUPOSIÇÕES

Acordou no meio da noite. Muito calor. Não tem ar-condicionado. O ventilador estava parado. Queda de energia. Olhou o relógio. 3:13 a.m. Supôs, então, ter acordado por causa das muriçocas sugando seu sangue. Lembrou que não mora só. Divide apartamento com dois transeuntes. Transeuntes sim. Mal se falam. Parecem estranhos no ninho. Lembrou também que um deles vive na “boemia”. Festas, prostitutas, prostitutas festas. Bastou isto para entrar em pânico. Imaginou que, talvez, uma daquelas muriçocas a lhe picarem agora, outrora tenha picado o boêmio. Imaginou que, talvez ele seja soropositivo. Imaginou que, talvez, no momento em que a muriçoca o picara, sentindo o azedume de seu sangue, tenha regurgitado. Imaginou, talvez,  ter sido infectado. Imaginou-se dando entrevista no Jô Soares, contando como contraiu o vírus. Imaginou quão ridículo seria contar esta estória a namorada. Imaginou que, talvez, ninguém acreditasse. Escreveu uma carta para a seção Superintrigante da Superinteressante. Deitou e voltou a dormir.

RESPOSTA À ANA

Ana (muitoalemdoceuazul.zip.net), não ia aceitar o desafio, mas como és sempre muito carinhosa comigo, vou tentar cumprir a tal “missão impossível”. Deixo claro, porém, que qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Vamos então ao  “Ex-Libris”:

 

P - Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?

R -  Sempre achei que eu fosse um dos personagem de Cem Anos de Solidão do  Garcia Marquez.  A inconstância, a inquietude, a eterna busca... sempre me mantiveram “afastado” do mundo. Mas se  pudesse escolher, acho que seria o Mundo de Sofia do Jostein Gaarder, porque num mundo onde todo caminhão de transportadora circula com a palavra LOGÍSTICA estampado na lataria, ainda estou perdido na minha caverna do jardim.

 

P - Já alguma vez ficaste apanhadinho por um personagem de ficção?

R – Sherazade sempre me encantou. As mil e uma Noites são fascinantes.  E a forma como o autor descreve-a é reveladora. Quase não faz referência a sua beleza e a seu erotismo. Exalta porém sua paixão pela leitura.  Trata-se da estória do amor que nunca acaba... Porque o amor carnal é fugaz e efêmero. Também tive uma quedinha pela Tereza do Milan Kundera (A Insustentável Leveza do Ser). A forma como ela supera o desinteresse de Tomas me comove.

 

P - Qual foi o último livro que compraste?

R – A Tapas e Pontapés do Diogo Mainardi e Amor é Prosa Sexo é Poesia do Jabor. Ambos são de crônicas.

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P - Qual o último livro que leste?

R – A Arte da Guerra de Sun Tzu. Porque ascendi rapidamente na empresa em que trabalho e achei que precisava de um referencial de liderança.

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P - Que livros estás a ler?

R – Os dois que mencionei na terceira resposta.

 

P - Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?

R – Difícil escolher só cinco... Mas vamos lá: Cem Anos de Solidão (Gabriel Garcia Marquez), Ensaio sobre a Cegueira (Jose Saramago), O Retorno e Terno (Rubem Alves),  Sonetos (Luiz de Camões) e A Insustentável Leveza do Ser (Milan Kundera).

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P - A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?

R  - Acho que nenhum dos indicados vai responder, mas tudo bem...

Doug (semsumario.zip.net),  Filipe (displicência.blogger.com.br),  Bia (noticiasdomundo.zip.net). Porque sim, oras...

SOBRE ELA

Ela fica linda quando chora assistindo filme romântico e quando dá um tapinha na minha mão boba. Fica linda quando me olha, séria, questionando meu silêncio. Fica linda penteando o cabelo e pedindo pra eu pegar a bolsa preta. Fica linda dizendo que quer ir dançar e rindo das piadas sem graça que faço. Fica linda comendo maçã, tomando água, caminhando com meu chinelão, colocando a mão no peito e mordendo a minha orelha. Fica linda quando finge não estar chateada comigo e quando tenta explicar algum momento de nossa relação com teorias freudianas. Fica linda rindo e fingindo que gosta dos meus rocks. Fica linda dormindo. Linda... Até fingindo... E nosso amor é como a chuva que cai agora. Ouço, vejo, sinto o cheiro, toco. E, contrariando tudo que eu disse no post anterior, existem coisas que permanecem. Afinal, como se explica o amor que chega sem avisar e fica?

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